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Meditando o Evangelho do 22º Domingo do Tempo Comum

Evangelho (Mt 16,21-27)

Jesus nos exorta:“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. 

Podemos perceber com que pleno amor Jesus sentia pelo Pai e por toda a humanidade no momento de o primeiro anúncio de sua paixão, morte e ressurreição?

Vamos lembrar aqui de 3 coisas que envolvem este momento, sendo estas o amor de Deus a nós, o pecado que deforma os homens e a figura do servo sofredor que se oferece ao mesmo tempo aos homens como oferta do Pai (cf. Jo 3, 16-17) e ao Pai como nossa oferta perfeita e agradável. O mais puro amor dos homens que por Jesus foi oferecido ao Pai.

O Senhor nos dá a chave para compreendê-lo: “Renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Jo 16, 24). Ou seja, para compreender o Senhor é preciso se colocar como seu seguidor e imitá-lo em tudo. Não nos coloquemos no lugar do Senhor, mas como seguidores do Senhor, imitando-o, renunciando a nós mesmos, tomando a nossa Cruz e seguindo os passos de Jesus.

Esta é a única forma observaremos o olhar de amor que Jesus olha em nosso favor (pois, é Ele também quem nos salva) e em favor de todos os homens, pecadores ou santos.

Assim, Jesus Cristo, conhecedor da Face Divina de Deus, não se oferece aos pecados dos homens, mas se oferece como Homem a Deus pela restauração de sua obra e ‘fazer novas todas as coisas’ (cf. Ap 21, 5), para nos curar, nos levar de volta para si a partir de seu Sagrado Coração.

Jesus Cristo se apresentará diante de Deus como o homem justo, o um único justo pelo qual a humanidade fosse justificada e salva. Eis a obra do Senhor! Eis o amor que Jesus derramou sobre as nossas vidas, sobre a nossa história, sobre toda a humanidade.

Se compreendermos o amor de Jesus a nós, pecadores, entenderemos a dura censura que o Senhor faz ao pensamento mundano de Pedro, que talvez, por pura vaidade pensaria em um Senhor que triunfasse sobre os homens e que os que estavam com o Cristo triunfariam juntos. Não. Jesus não deseja triunfar sobre os homens, mas Jesus quer que a humanidade alcance a sua vitória definitiva por meio Dele, de seu amor provado na Cruz, para recobrirmos a visão e sermos curados por Aquele a quem transpassamos.

O que nos pede Jesus hoje em relação ao mundo que se levanta contra a Igreja e contra o Cristo? Ele não nos pede que triunfemos sobre o mundo, mas que sejamos instrumentos que iluminam os que jazem nas trevas, mostrarmos o amor de Deus e darmos as razões de nossa esperança (cf. I Pd 3, 15), uma esperança repleta de eternidade (Sb 3, 4).

Não somos instrumentos de condenação, mesmo que o mundo nos condene, somos instrumentos nas mãos do Senhor para a salvação nossa e de nossos semelhantes, mesmo aqueles que nos perseguem.

“Se fordes zelosos do bem, quem vos poderá fazer mal? E até sereis felizes, se padecerdes alguma coisa por causa da justiça! Portanto, não temais as suas ameaças e não vos turbeis. Antes, santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito.”


João Batista Passos,

MSM Brasil

Católico, Meus Textos, MSM Brasil

Meditando o Evangelho do 21º Domingo do Tempo Comum

Evangelho (Mt 16,13-20)

Jesus nos pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 

Esta pergunta talvez não requer de nós uma resposta imediata, mas talvez requer de nós um voltar a nós mesmos e procurarmos conhecer Jesus Cristo no silêncio de nosso coração humano, por sinal, além de limitado bastante tumultuado pelo grande ruído do mundo.

Antes de responder, talvez nos seja interessante em retirar-nos de cena por um período suficiente para aquietar a nossa alma e o nosso coração e, então, buscar a resposta por meio da oração filial, da diligente leitura orante das Sagradas Escrituras e do estudo consciente e humilde da Fé Católica, Mãe e Mestra da Verdade.

É muito difícil conhecer Jesus em toda a sua extensão, mas o Espírito Santo nos mostra quem Ele É, nos dá não somente a conhecê-Lo, mas de amá-Lo e admirá-Lo de forma muito verdadeira.

Jesus nos fala ao nosso coração batizado em seu amor deste a nossa infância, quando Ele nos quis para Si e desde então esteve conosco todos os dias, em todos os momentos de nossa vida, a qual às vezes julgamos ser uma vida pequena e muitas vezes a temos por uma vida infeliz, justamente por não acompanhar Aquele que caminha conosco, que nos quer, que nos deseja, que nos ama e nos faz amar a vida para além das tristezas e para além do espaço e do tempo, para além de nossas inconstâncias e para além de nossas infelizes infidelidades a Deus e ao próximo. Ele está conosco e Sua força também está conosco.

Sabendo disso, sim, Jesus está aqui e agora comigo, Dele recebi a Sua força para que eu fosse forte na fé e resistente mesmo nas adversidades. Que intuição é essa que mesmo longe do Caminho do Senhor ainda conseguimos confiar Nele e Nele esperar um novo alento, uma nova inspiração e a salvação eterna?

Pedir-Lhe perdão é uma ótima forma de sentir o Senhor sorrir para nós, de restaurar-nos como fomos por Ele sonhados, desde a criação do mundo, desde a salvação que Ele nos deu por meio de sua dolorosa Cruz e fez novas todas as coisas… ali também Ele concebia nós e nossa vida de uma forma única e verdadeira.

Abandonar-se silenciosamente no Amor de Jesus, de forma discreta, quase secreta e Nele esperar até que O sintamos, O respiramos e Nele nos inspirarmos e sentirmos tão grande e inexplicável amor.

Retirar-nos silenciosamente com o Senhor, com as orações e os afagos de Maria Santíssima, nossa Mãe comum pela graça de Deus. Estar em Deus, esperar em Deus, sentir o amor infinito do Senhor, deixar que o Espírito Santo nos ilumine, pela nossa vontade de conhecer o Cristo, esperando o tempo de Deus.

Em meios a orações e esperas, em meio ao Sumo Bem e à Divina Misericórdia, conheceremos a Sagrada Face de Nosso Senhor e então poderemos ouvir a Sua pergunta: “E você, quem dizes quem eu sou?” – e respondê-la agradecidos e cheios de um inexplicável amor: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Nosso Senhor, o Nosso Salvador, Aquele que sempre esteve conosco, o Deus que nos ama de verdade e nos deseja da mesma forma como fomos concebidos e como somos conhecidos em seu Eterno Amor!”

João Batista Passos, MSM

Católico, Meus Textos, MSM Brasil

CAP. XXI, 1 – Da Adesão dos Cavaleiros a Movimentos Diversos

Co-laborar, trabalhar junto, auxiliar com outra obra, porém, sem nos esquecermos que co-laboramos, que trabalhamos junto a determinado empreendimento como cavaleiros de Nossa Senhora.

Esta co-labor-ação a movimentos diversos não sugere uma imposição dos princípios de nossa ordem, mas, compreendamos isso, sempre nos é impossível nos dissociar o quem somos de onde estamos ou com quem tratamos do nosso ser cavaleiro.

Lembramos aqui que a nossa caminhada na Ordem dos Cavaleiros de Santa Maria nunca resulta em “estar cavaleiro”, “estar” na Ordem, mas ser, de forma sempre translúcida e natural o nosso ser cavaleiro de Nossa Senhora.

Ser cavaleiro de Nossa Senhora é sempre uma vocação. Esta vocação que nos inspira na lida diária em favor da consolidação do Reino de Deus no mundo, em altura, em largura, em profundidade e nos inspira a laborar pelo bem da justiça e também pela misericórdia, da qual a Nossa Doce Suserana é Mãe. Mãe de Misericórdia.

Ser cavaleiro de Nossa Senhora também nos encoraja em lutarmos contra nós mesmos. Tais lutas e íntimos martírios pessoais é o que nos forjam ou está a nos forjar como cavaleiros da Santa Mãe de Deus aqui na terra, neste vale de lágrimas. Quantas derrotas enfrentamos no mundo, quantas derrotas enfrentamos com a gente mesmo.

É pela oração íntima que nos elevamos a Deus, é pela meditação consciente dos Mistérios do Santo Rosário e é pela via da vida sacramental que aprendemos a servir à Nossa Senhora, como humildes, porém, verdadeiros cavaleiros seus, a tempo e a contra-tempo, em todo lugar e situação que nos encontrarmos, sem arrogância ou prepotência, mas com humildade e fervor, com verdade e caridade.

Lembramo-nos, então, destes princípios:

  1. “É-se cavaleiro de Nossa Senhora, antes de tudo, em tudo, sempre e em todo o lado”

2. “É primeiro sempre no seio da Ordem que se é cavaleiro.”


Por João Batista Passos, MSM

Católico, Família, Meus Textos

Transmissão da Fé Católica pela Tradição Familiar

Muitas e muitas vezes ouvimos sérias críticas de pessoas que se sentem envolvidas pela Fé por ‘simples’ Tradição Familiar. Ao contrário do que se pensa, a transmissão da Fé Católica pelo que dizem ‘simples’ Tradição Familiar é a forma, depois da Liturgia dos Sacramentos, mais própria de transmissão da Fé no Evangelho de Cristo e na continuidade da Missão Trinitária de salvação que existe.

Há um propósito em desfazer da Tradição Familiar como elemento transmissor da Fé (o Fidei Depositum confiado às Famílias), que é justamente o de desconstruir os valores antigos de nossas Famílias, desfazer a forma e conteúdo como os nossos antepassados acreditavam, e a partir disso, impor uma nova ‘teologia’, uma nova ‘fé’, um novo status para os que creem, geralmente, muito diferente e divergente do que nossos avós ensinaram aos nossos pais e muito diferente do que os nossos pais tentaram nos transmitir.

Nascemos não somente em um período de rápidas transformações, mas em uma época de grandes perdas, sobretudo de valores constitutivos do ser humano em suas mais variadas dimensões. Enquanto indivíduo, enquanto um ser social, enquanto imagem e semelhança de Deus, enquanto homens e mulheres naturais salvos pela graça divina.

Importante valer-nos que se não corrermos aos nossos avós, aos nossos anciãos e anciãs e dele aprendermos como sermos verdadeiramente Católicos, estaremos condenando a nós mesmos e as futuras gerações a um desastre existencial, perdido no tempo e no espaço.

Outro ponto fundamental é a pergunta de como devemos ser Católicos?

A resposta é: devemos nos ater a aprender a sermos católicos com as pessoas mais antigas, assimilar a suas orações, devoções e piedades. Isso nos será um porto seguro para nós e para a nossa Fé, que coube a nós, pela graça de Deus recebê-la e transmiti-la, de forma zelosa e muito bem cuidada… aprendamos com os nossos anciãos e anciãs se quisermos salvar a nossa Fé e a Fé de nossos descendentes.

Não se esqueça, a transmissão da Fé pela Tradição Familiar é um modo ordinário de transmissão da revelação dada por Jesus Cristo à sua Igreja e confiada às Família zeladoras, guardiãs e promotoras da Fé, da Esperança e da Caridade do Evangelho do Senhor.

Observação: Quando falamos aqui na Tradição Familiar, não queremos falar apenas de costumes e tradições particulares de cada Família, mas estamos ousando alinhar a continuação da Tradição Apostólica (Traditio) da Igreja com a Tradição Familiar (com a letra T maiúscula), ou seja, as Famílias fundadas no Sacramento do Matrimônio, assumem diante de Deus e da Igreja tal responsabilidade de guardar a Fé e a transmiti-la para si e para as futuras gerações e por isso, absolutamente ninguém cabe criticar a transmissão da Fé da Igreja por Tradição Familiar.

Por João Batista Passos, MSM

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Católicos na política hodierna

É muito difícil um católico entrar na política para influenciar as ações de governo de forma que reflitam os valores do Evangelho de Cristo e implantar os reflexos do Reino de Deus no Brasil. Falemos de Brasil,  mas que possa ser válido também para as realidades de um a Estado ou uma cidade, ou até mesmo em uma associação ou também no meio de sua própria Família.

Podemos pensar que na atual conjectura política nacional a realidade católica, além de não ser querida parece ser já incompreensível e por isso requer meios e formas e tons que a camada política e as estruturas partidárias possam compreender os valores do Reino de Deus e isso requer muito cuidado.

Vamos comparar o mundo da nossa política como um se fosse um país e onde um estrangeiro que não fale a sua língua será certamente incompreendido, não irá progredir e logo será tratado com insignificância.

Logo, para um político católico é preciso aprender o idioma, conhecer a cultura deste estranho país, assimilar o que é permitido e o que é proibido até o ponto de se fazer como um nativo desta estranha terra.

Assim, já tendo aprendido como lidar com a sua causa em uma terra sabidamente hostil ao que foi proposto fazer lá, não seja a causa de ser dissimulado ou falso, mas agir de forma inteligente em que se expresse na língua estranha, de um povo estranho os conceitos simples e belos da a fé católica, de forma que façam estes a compreendam e passem a sonhar, amar e desejar que tudo isso se torne realidade.

Não trata-se, repetindo, de dissimulação, mas de amor ao próximo, às pessoas, à nação e salvação de todos.

Sem ostentar a bandeira da Fé no meio dos inimigos, pois certamente, seria alvejado e eliminado e quase literalmente enterrado em vala rasa, mas abrindo-lhes os olhos para a realidade da caridade e da verdade, a ponto de quando desvelada sua visão, o povo deste estranho país compreenda a extensão do amor de Cristo e os bens que dele se tira em favor do bem e da felicidade dos homens.

O que acima foi dito não sugere que todos os católicos façam desta mesma forma, enquanto uns fazem o trabalho velado em favor dos homens cegos, outros devem sim, anunciar abertamente o Santo Nome do Senhor, do amor desinteressado e emancipante aos pobres, para que quando o grupo velado terminar seu trabalho, todos reconheçam nos que anunciaram abertamente o sonho, a beleza e a verdade na qual foram salutarmente imersos.

Estar imerso em um mundo contra os Católicos, não se trata de deixar de cumprir os mais basilares preceitos de nossa Fé de maneira que este também aponte para a fonte para qual todos devem ser conduzidos.

Meus Textos

Comunhão com a Igreja de Cristo

A compreensão do que é ser parte integrante da Igreja de Cristo é algo que muitas vezes foge ou se vai ao longe de nossa compreensão, por isso muitas vezes, principalmente quando estamos com corações frios e esquecidos da proximidade que Deus tem conosco, parece ficar impossível de se compreender ser membro do Corpo de Cristo, sua Igreja.

O fato da Igreja  ser Santa e Católica é justamente isso, não há diversos “Cristos” ou diversos “corpos” de Cristo, mas há apenas um, único e irremediavelmente universal,  unido no Céu e na terra (“toda família no céu e na terra” Ef 3, 15). Por isso não haverá salvação para aqueles que não comungam com este Corpo, não estejam nele inseridos ou de certa forma enxertados.

Dizem ser polêmica a afirmação que fora da Igreja Católica não há salvação, mas basta compreendermos que de fato não haverá salvação para aqueles que pela Graça Divina não estejam inseridos no único Corpo de Cristo, a Igreja. A beleza da fé Católica é justamente se prontificar e se afirmar responsável pelo cumprir visível desta responsabilidade que lhe foi confiada e sob promessa confirmada até o fim dos tempos, mesmo que houvesse os piores inimigos contra ela e que pudessem vencer algumas batalhas, a Igreja nasceu sofredora, mas com a promessa da gloriosa vitória final.

Seria muito bom compreendermos a palavra comunhão, para que nos disponibilizássemos a nos entregar totalmente a Jesus Cristo Salvador de nossas vidas, através do canal visível que nos foi deixado por herança, a Igreja e tudo o que nela contem, que é indefectivelmente Santo e Sagrado.

Ao nos voltarmos um pouco para o sentido do que seria comungar verdadeiramente do Corpo de Cristo, ou seja, comungar e experimentar do próprio Cristo em sua Igreja, veremos que é obviamente claro que a Igreja é objetivamente Santa, porque não se pode comungar com Cristo se o pecado ainda permanece em nós. Comungamos com Cristo na medida em que abandonamos os nossos erros e desvios, erros e desvios que nos afastam da intenção do sentido de nossa criação, que não nos permitem nos transformar na imagem e semelhança que temos do próprio Criador.

Por isso, sem manchas e sem defeito a Igreja atravessa os séculos e a história da humanidade, se constituindo por pessoas que se deixam beber da água da Vida Eterna, que crêem e confiam nas Palavras Divinas do Redentor. Estas pessoas, os Santos são os que descobriram o verdadeiro caminho da vida, caminhando com Cristo, tocando-O, comungando-se Dele, através dos meios que o próprio Salvador nos deixou para que pudéssemos estar com Ele, próximos Dele e confiadamente se alegram por confiarem toda a vida, alegria e sofrimento a compaixão divina, que brota do coração de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Comungar é deixar nossas exigências de lado e aceitarmos o que nos é designado pela Divina Vontade. Confiaríamos mais em nossos desejos ou nos desejos Daquele que nos quis e nos amou desde o primeiro dia? Isso é comungar, confiar mais em Deus do que em nós mesmos. Mas para comungar e deixar-se imergir no Sagrado Coração de Deus precisaríamos conhecer o que realmente vem de Deus e o que parte miseralvemente de nossas próprias intenções.

Seria possível conhecer a vontade de Deus para cada um de nós? Sim, claro que sim, Deus nos deixou todos os meios necessários para estarmos bem próximos Dele. Em primeiro lugar a oração confiante, as Santas Missas nas quais escutamos o próprio Cristo anunciar o seu Evangelho e se entregar a Deus por nós em seu único e perfeito Sacrifício, a leitura piedosa das Sagradas Escrituras e os caminhos que a Caridade nos impele a seguir, em serviço da dignidade do próximo. São meios simples porém eficazes e infalíveis de irmos trocando os nossos desejos pelos desígnios de Deus. Nos pautemos sempre pela humildade e simplicidade de nossos atos.

Talvez a comunhão seja mais do que abrir mão de nossos parâmetros de verdade, mas abrir-se à verdade integral. Muitos dizem que a Fé é um caminho que limita o ser humano, mas não vejo assim, a Fé não só não nos limita como nos abre a visão ampla do conhecimento da verdade que nos satisfaz verdadeiramente, é capaz de nos encaminhar as respostas para uma integração maior com a razão de nossa existência e assim vamos prestando todo o nosso assentimento aos desígnios que a própria Fé nos complementa. Isso é o caminho de uma comunhão pura e simples, o caminho da alegria e da santidade.

João Batista Passos, 22 de agosto de 2012.

Católico

Meditação sobre a ovelha desgarrada

59. A OVELHA DESGARRADA

– Deus ama‑nos sempre, também quando nos extraviamos.

– O amor pessoal de Deus por cada homem.

– A nossa vida é a história do amor de Cristo…, que tantas vezes nos olhou com predileção.

I. LEMOS NO EVANGELHO da Missa de hoje uma das parábolas da misericórdia divina que mais comovem o coração humano1. Um homem que tem cem ovelhas – um rebanho grande – perde uma delas, provavelmente por culpa da própria ovelha, que ficou para trás enquanto todo o rebanho seguia adiante em busca de pastos. E Jesus pergunta: esse pastor não deixará as noventa e nove nos montes para ir em busca daquela que se desgarrou? São Lucas registra estas palavras do Senhor: E tendo‑a encontrado, põe‑na sobre os ombros alegremente2 até devolvê‑la ao redil.

Nenhuma das ovelhas recebeu tantas atenções como essa que se extraviou. Os cuidados de que a misericórdia divina cerca o pecador, nos cerca a nós, são esmagadores. Como não havemos de nos deixar carregar aos ombros pelo Bom Pastor, se alguma vez nos perdemos? Como não havemos de amar a Confissão freqüente, que é onde encontramos novamente o Bom Pastor, Cristo? Pois devemos ter em conta que somos fracos e, portanto, cheios de tropeços. Mas essa mesma fraqueza, se a reconhecemos como tal, sempre atrai a misericórdia de Deus, que acode em nosso auxílio com mais ajudas, com um amor mais particularizado. “Jesus, nosso Bom Pastor, apressa‑se a procurar a centésima ovelha, que se tinha extraviado… Maravilhosa condescendência a de Deus que assim procura o homem; dignidade grande do homem assim procurado por Deus!”3

Contamos sempre com o amor de Cristo, que nem mesmo nos piores momentos da nossa existência nos deixa de amar. Contamos sempre com a sua ajuda para voltar ao bom caminho, se o perdemos, e para recomeçar quantas vezes for preciso. Ele mantém‑nos na luta, e “um chefe no campo de batalha estima mais o soldado que, depois de ter fugido, volta e ataca com ardor o inimigo, do que aquele que nunca voltou as costas, mas também nunca levou a cabo uma ação valorosa”4. Não se santifica quem nunca comete erros, mas quem sempre se arrepende, confiante no amor que Deus tem por ele, e se levanta para continuar lutando. O pior não é ter defeitos, mas pactuar com eles, não lutar, admiti‑los como parte do nosso modo de ser. Por esse caminho só se chega à mediocridade espiritual, que o Senhor não quer para os que o seguem.

II. JESUS AMA A CADA UM tal como é, com os seus defeitos; no seu amor, não idealiza os homens; vê cada um com as suas contradições e fraquezas, com as suas imensas possibilidades para o bem e com a sua debilidade, que aflora com tanta freqüência. “Cristo conhece o que há no interior do homem. Somente Ele o conhece!”5, e assim o ama, assim nos ama.

Como Jesus entende o coração humano e como tem uma visão positiva da sua capacidade! “O olhar de Jesus vê através do véu das paixões humanas e penetra até os refolhos do homem, lá onde este se encontra só, pobre e nu”6. Ele compreende‑nos sempre e anima‑nos a continuar lutando em todas as situações. Se pudéssemos aperceber‑nos um pouco mais do amor pessoal de Cristo por cada homem, das suas atenções, dos seus cuidados!

Esse amor pessoal do Senhor é a suprema realidade da nossa vida, a que é capaz de levantar o nosso espírito em qualquer momento e de nos deixar profundamente alegres. Isso apesar do fundo de miséria que se esconde no coração humano. “É este «apesar de tudo» que torna o amor de Cristo pelos homens tão incomparável, tão maternalmente terno e generoso, a ponto de ter ficado para sempre inscrito na memória da humanidade […]. O seu amor distingue‑se da filantropia ensinada pelos sábios e filósofos. Não é puro ensinamento, mas vida; é um sofrer e morrer com os homens. Não se contenta com analisar a miséria humana e depois procurar os remédios para aliviá‑la: Ele mesmo põe‑se em contacto e penetra nessa miséria. Não suporta conhecê‑la sem participar dela. O amor de Jesus transpõe os limites do seu próprio coração para atrair os outros, ou melhor, para sair de si mesmo, identificando‑se com os outros a fim de viver e sofrer com eles”7.

Jesus considera os homens como irmãos e amigos – é assim que os chama –, e une tão intimamente a sua sorte à deles que qualquer coisa que se faça por um outro, é por Ele que se faz8. Os Evangelistas dizem‑nos constantemente que o Senhor sentia compaixão pelo povo9: E teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor10. Nunca deixa de comover‑se com a desgraça e a dor, mesmo que sejam as de uma mulher pagã como a Cananéia11. Não deixa de atender os que o procuram, sem se importar de que o critiquem por ter violado o sábado12. E convive com os publicanos e os pecadores, ainda que os que se julgam bons cumpridores da Lei se escandalizem. Nem sequer a sua própria agonia lhe impede de dizer ao bom ladrão: Hoje estarás comigo no paraíso13.

O seu amor não tolera nenhuma exceção, e não tem nenhuma preferência por esta ou aquela classe social. Acolhe os ricos como Nicodemos, Zaqueu ou José de Arimatéia, e acolhe os pobres como Bartimeu, um mendigo que, depois de curado, o segue pelo caminho. Nas suas viagens, às vezes, faz‑se acompanhar por algumas mulheres que o servem com os seus bens14. Atende com toda a prontidão os mais necessitados do corpo e sobretudo da alma. A sua preferência pelos mais necessitados não é no entanto excludente, não se limita aos desafortunados, aos marginalizados…, pois há realmente males que são comuns a todos os estratos sociais: a solidão, a falta de carinho…

A nossa vida é a história do amor de Cristo, que tantas vezes nos olhou com predileção, que em tantas ocasiões saiu à nossa procura. Perguntemo‑nos hoje como estamos correspondendo neste momento da vida a tantos cuidados por parte do Senhor: se nos esforçamos por receber os sacramentos com a freqüência e o amor devidos, se reconhecemos Cristo na direção espiritual, se vemos com agradecimento a solicitude daqueles que na Igreja cuidam da nossa alma: os Pastores. Sabemos exclamar nessas situações: É o Senhor!?

III. JESUS AMOU‑ME e entregou‑se por mim, diz São Paulo15. Esta é a grande verdade que nos cumula sempre de consolação. Jesus ama‑nos a ponto de dar a sua vida por nós; e ama‑nos como se cada um de nós fosse o único destinatário desse amor. Devemos meditar muitas vezes nessa maravilhosa realidade – Deus me ama –, que ultrapassa as expectativas mais audazes do coração humano. Ninguém que estivesse à margem da Revelação divina se atreveu a vislumbrar e a reconhecer esta sublime vocação de cada homem: ser filho de Deus, chamado a viver numa relação de amizade com Ele e a participar da própria vida das Três Pessoas divinas. Em termos de lógica humana, isso parece uma ilusão, quase uma mentira, e, no entanto, é a grande verdade que nos deve levar a ser conseqüentes.

Jesus nunca cessou de amar‑nos, de ajudar‑nos, de proteger‑nos, de comunicar‑se conosco; nem sequer nos momentos de maior ingratidão, ou naqueles em que talvez tivéssemos cometido as maiores deslealdades. Talvez tenha sido precisamente nessas tristes circunstâncias que tiveram lugar as maiores atenções do Senhor, como nos mostra a parábola que hoje consideramos. Entre as cem ovelhas que compunham o rebanho, só aquela, a que se tresmalhou, é que foi a que teve a honra de ser levada aos ombros pelo bom pastor. Eu estarei convosco todos os dias16, diz‑nos o Senhor em cada situação, a cada momento.

Esta certeza da proximidade do Senhor deve animar‑nos a recomeçar sempre na luta interior, sem nos deixarmos esmagar pela experiência negativa dos nossos defeitos e pecados. Cada momento que vivemos é único e, portanto, bom para recomeçar, porque, como se lê no livro do Deuteronômio, o Senhor, que é o vosso guia, ele mesmo estará contigo; não te deixará nem te desamparará; não temas nem te assustes17.

Durante muitos séculos, a Igreja pôs nos lábios dos sacerdotes e dos fiéis, ao começar a Missa, umas palavras do Salmo 42: Subirei ao altar de Deus, / do Deus que alegra a minha juventude18, e isto qualquer que fosse a idade do celebrante e dos assistentes. É o grito da alma que se dirige diretamente a Cristo, que se sabe amada e que deseja amor.

“Deus me ama… E o Apóstolo João escreve: «Amemos, pois, a Deus, porque Deus nos amou primeiro». – Como se fosse pouco, Jesus dirige‑se a cada um de nós, apesar das nossas inegáveis misérias, para nos perguntar como a Pedro: «Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?»…

“– É o momento de responder: «Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que eu te amo!», acrescentando com humildade: – Ajuda‑me a amar‑te mais, aumenta o meu amor!”19São jaculatórias que nos podem servir no dia de hoje: aproximar‑nos‑ão mais de Cristo. Ele espera de nós essa correspondência.

(1) Mt 18, 12‑24; (2) Lc 15, 6; (3) São Bernardo, Sermão para o primeiro Domingo do Advento, 7; (4) São João Crisóstomo, Comentário à primeira Epístola aos Coríntios, 3; (5) João Paulo II, Homilia, 22‑X‑1978; (6) K. Adam, Jesus Cristo, pág. 34; (7) ib., pág. 35; (8) Mt 25, 40; (9) Mc 8, 2; Mt 9, 36; 14, 14; etc.; (10) Mc 6, 34; (11) Mc 7, 26; (12) Mc 1, 21; (13) Lc 23, 43; (14) Lc 8, 3; (15) Gal 2, 20; (16) Mt 28, 20; (17) Deut 31, 8; Primeira leitura da Missa da terça‑feira da décima nona semana do TC, ano I; (18) Sl 42, 4; (19) Josemaría Escrivá, Forja, n. 497.

Pe. Francisco Fernandez-Carvajal, op

Católico

CNBB: Subsídios e Evangelização

Acho que a CNBB está teorizando muito sobre a evangelização… a evangelização já não costuma brotar do coração dos fiéis, da ordem litúrgica e das relações do homem com Deus, mas de propostas e subsídios.. isso ajuda, mas são fatores externos e pode ser que algum ardor nasça aí e evangelize… mas, sinceramente… são muitas teorias… precisa de algo que as anteceda e as sustente… e nem sempre percebemos isso de uma maneira invariável e universal…

Estes dias andei pensando que não tem nada mais ceifador do ânimo real do que aquela correta frase “não adianta ir na Igreja e não mudar”.. ou “não faz assim e assado…” a frase é correta, mas nos esquecemos que a conversão pessoal e comunitária é um dom da graça divina… por mais que eu tente fazer algo, se eu não me apegar intimamente com o sentido (ás vezes longínquo) da conversão em Deus, pode ser que comecemos a reduzir aquilo que deveríamos fazer por amor e aquilo que fazemos por causa dos subsídios… nos transformamos em uma caricatura de alguma coisa.

Não, eu não acho ruim os subsídios, os livros e tudo o mais que ajude no real processo de formação, mas o excesso de informação, conceitualizações, contextualizações tem nos matado o bom senso… tem nos eliminado o toque com a realidade nossa mais próxima… quantas vezes dizem em tom de desqualificação.. vc reza enquanto tem pessoas morrendo na África… aí nos desiludimos porque não conseguimos mudar nem a nós mesmos, nem a realidade que nos é próxima e muito menos os problemas da África…

Há uma diferença terrível entre a ideologia humana e a Fé em Cristo… e por isso, ocorre que há uma diferença sensível entre o ser humano do cristão… as ideologias começam pelos grandes e belos planos de mudar o mundo, julgar os seus erros e sugerir-lhe preto no branco o paraíso terrestre… enquanto os cristãos se esperam e agem pelo amor… o amor, por mais que não seja aparentemente ousado quanto aos mirabolantes planos humanos e o que oferece as propagandas ideológicas de salvar o mundo, são sempre mais eficazes… muda um, muda dois… muda tudo…

O Espírito Santo já nos advertiu com relação a isso… e ainda nos confiamos mais aos estudos e as teorias do que aquela velha e boa sintonia com Deus acessível a qualquer um de seus filhos… A letra mata… não, não estou julgando o excesso de subsídios e nem a qualidade deles… mas talvez a falta de algo que os antecedam, que os sustentem… uma linguagem mais simples e direta e que denote extrema clareza e confiança a relação simples, pessoal e comunitária em Cristo, à sua Igreja…

Este texto foi esporádico e não é uma crítica a CNBB…