Católico, Meus Textos, MSM Brasil

Meditando o Evangelho do 21º Domingo do Tempo Comum

Evangelho (Mt 16,13-20)

Jesus nos pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 

Esta pergunta talvez não requer de nós uma resposta imediata, mas talvez requer de nós um voltar a nós mesmos e procurarmos conhecer Jesus Cristo no silêncio de nosso coração humano, por sinal, além de limitado bastante tumultuado pelo grande ruído do mundo.

Antes de responder, talvez nos seja interessante em retirar-nos de cena por um período suficiente para aquietar a nossa alma e o nosso coração e, então, buscar a resposta por meio da oração filial, da diligente leitura orante das Sagradas Escrituras e do estudo consciente e humilde da Fé Católica, Mãe e Mestra da Verdade.

É muito difícil conhecer Jesus em toda a sua extensão, mas o Espírito Santo nos mostra quem Ele É, nos dá não somente a conhecê-Lo, mas de amá-Lo e admirá-Lo de forma muito verdadeira.

Jesus nos fala ao nosso coração batizado em seu amor deste a nossa infância, quando Ele nos quis para Si e desde então esteve conosco todos os dias, em todos os momentos de nossa vida, a qual às vezes julgamos ser uma vida pequena e muitas vezes a temos por uma vida infeliz, justamente por não acompanhar Aquele que caminha conosco, que nos quer, que nos deseja, que nos ama e nos faz amar a vida para além das tristezas e para além do espaço e do tempo, para além de nossas inconstâncias e para além de nossas infelizes infidelidades a Deus e ao próximo. Ele está conosco e Sua força também está conosco.

Sabendo disso, sim, Jesus está aqui e agora comigo, Dele recebi a Sua força para que eu fosse forte na fé e resistente mesmo nas adversidades. Que intuição é essa que mesmo longe do Caminho do Senhor ainda conseguimos confiar Nele e Nele esperar um novo alento, uma nova inspiração e a salvação eterna?

Pedir-Lhe perdão é uma ótima forma de sentir o Senhor sorrir para nós, de restaurar-nos como fomos por Ele sonhados, desde a criação do mundo, desde a salvação que Ele nos deu por meio de sua dolorosa Cruz e fez novas todas as coisas… ali também Ele concebia nós e nossa vida de uma forma única e verdadeira.

Abandonar-se silenciosamente no Amor de Jesus, de forma discreta, quase secreta e Nele esperar até que O sintamos, O respiramos e Nele nos inspirarmos e sentirmos tão grande e inexplicável amor.

Retirar-nos silenciosamente com o Senhor, com as orações e os afagos de Maria Santíssima, nossa Mãe comum pela graça de Deus. Estar em Deus, esperar em Deus, sentir o amor infinito do Senhor, deixar que o Espírito Santo nos ilumine, pela nossa vontade de conhecer o Cristo, esperando o tempo de Deus.

Em meios a orações e esperas, em meio ao Sumo Bem e à Divina Misericórdia, conheceremos a Sagrada Face de Nosso Senhor e então poderemos ouvir a Sua pergunta: “E você, quem dizes quem eu sou?” – e respondê-la agradecidos e cheios de um inexplicável amor: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Nosso Senhor, o Nosso Salvador, Aquele que sempre esteve conosco, o Deus que nos ama de verdade e nos deseja da mesma forma como fomos concebidos e como somos conhecidos em seu Eterno Amor!”

João Batista Passos, MSM

Católico, Meus Textos, MSM Brasil

CAP. XXI, 1 – Da Adesão dos Cavaleiros a Movimentos Diversos

Co-laborar, trabalhar junto, auxiliar com outra obra, porém, sem nos esquecermos que co-laboramos, que trabalhamos junto a determinado empreendimento como cavaleiros de Nossa Senhora.

Esta co-labor-ação a movimentos diversos não sugere uma imposição dos princípios de nossa ordem, mas, compreendamos isso, sempre nos é impossível nos dissociar o quem somos de onde estamos ou com quem tratamos do nosso ser cavaleiro.

Lembramos aqui que a nossa caminhada na Ordem dos Cavaleiros de Santa Maria nunca resulta em “estar cavaleiro”, “estar” na Ordem, mas ser, de forma sempre translúcida e natural o nosso ser cavaleiro de Nossa Senhora.

Ser cavaleiro de Nossa Senhora é sempre uma vocação. Esta vocação que nos inspira na lida diária em favor da consolidação do Reino de Deus no mundo, em altura, em largura, em profundidade e nos inspira a laborar pelo bem da justiça e também pela misericórdia, da qual a Nossa Doce Suserana é Mãe. Mãe de Misericórdia.

Ser cavaleiro de Nossa Senhora também nos encoraja em lutarmos contra nós mesmos. Tais lutas e íntimos martírios pessoais é o que nos forjam ou está a nos forjar como cavaleiros da Santa Mãe de Deus aqui na terra, neste vale de lágrimas. Quantas derrotas enfrentamos no mundo, quantas derrotas enfrentamos com a gente mesmo.

É pela oração íntima que nos elevamos a Deus, é pela meditação consciente dos Mistérios do Santo Rosário e é pela via da vida sacramental que aprendemos a servir à Nossa Senhora, como humildes, porém, verdadeiros cavaleiros seus, a tempo e a contra-tempo, em todo lugar e situação que nos encontrarmos, sem arrogância ou prepotência, mas com humildade e fervor, com verdade e caridade.

Lembramo-nos, então, destes princípios:

  1. “É-se cavaleiro de Nossa Senhora, antes de tudo, em tudo, sempre e em todo o lado”

2. “É primeiro sempre no seio da Ordem que se é cavaleiro.”


Por João Batista Passos, MSM

Católico, Família, Meus Textos

Transmissão da Fé Católica pela Tradição Familiar

Muitas e muitas vezes ouvimos sérias críticas de pessoas que se sentem envolvidas pela Fé por ‘simples’ Tradição Familiar. Ao contrário do que se pensa, a transmissão da Fé Católica pelo que dizem ‘simples’ Tradição Familiar é a forma, depois da Liturgia dos Sacramentos, mais própria de transmissão da Fé no Evangelho de Cristo e na continuidade da Missão Trinitária de salvação que existe.

Há um propósito em desfazer da Tradição Familiar como elemento transmissor da Fé (o Fidei Depositum confiado às Famílias), que é justamente o de desconstruir os valores antigos de nossas Famílias, desfazer a forma e conteúdo como os nossos antepassados acreditavam, e a partir disso, impor uma nova ‘teologia’, uma nova ‘fé’, um novo status para os que creem, geralmente, muito diferente e divergente do que nossos avós ensinaram aos nossos pais e muito diferente do que os nossos pais tentaram nos transmitir.

Nascemos não somente em um período de rápidas transformações, mas em uma época de grandes perdas, sobretudo de valores constitutivos do ser humano em suas mais variadas dimensões. Enquanto indivíduo, enquanto um ser social, enquanto imagem e semelhança de Deus, enquanto homens e mulheres naturais salvos pela graça divina.

Importante valer-nos que se não corrermos aos nossos avós, aos nossos anciãos e anciãs e dele aprendermos como sermos verdadeiramente Católicos, estaremos condenando a nós mesmos e as futuras gerações a um desastre existencial, perdido no tempo e no espaço.

Outro ponto fundamental é a pergunta de como devemos ser Católicos?

A resposta é: devemos nos ater a aprender a sermos católicos com as pessoas mais antigas, assimilar a suas orações, devoções e piedades. Isso nos será um porto seguro para nós e para a nossa Fé, que coube a nós, pela graça de Deus recebê-la e transmiti-la, de forma zelosa e muito bem cuidada… aprendamos com os nossos anciãos e anciãs se quisermos salvar a nossa Fé e a Fé de nossos descendentes.

Não se esqueça, a transmissão da Fé pela Tradição Familiar é um modo ordinário de transmissão da revelação dada por Jesus Cristo à sua Igreja e confiada às Família zeladoras, guardiãs e promotoras da Fé, da Esperança e da Caridade do Evangelho do Senhor.

Observação: Quando falamos aqui na Tradição Familiar, não queremos falar apenas de costumes e tradições particulares de cada Família, mas estamos ousando alinhar a continuação da Tradição Apostólica (Traditio) da Igreja com a Tradição Familiar (com a letra T maiúscula), ou seja, as Famílias fundadas no Sacramento do Matrimônio, assumem diante de Deus e da Igreja tal responsabilidade de guardar a Fé e a transmiti-la para si e para as futuras gerações e por isso, absolutamente ninguém cabe criticar a transmissão da Fé da Igreja por Tradição Familiar.

Por João Batista Passos, MSM

Católico

Meditação sobre a ovelha desgarrada

59. A OVELHA DESGARRADA

– Deus ama‑nos sempre, também quando nos extraviamos.

– O amor pessoal de Deus por cada homem.

– A nossa vida é a história do amor de Cristo…, que tantas vezes nos olhou com predileção.

I. LEMOS NO EVANGELHO da Missa de hoje uma das parábolas da misericórdia divina que mais comovem o coração humano1. Um homem que tem cem ovelhas – um rebanho grande – perde uma delas, provavelmente por culpa da própria ovelha, que ficou para trás enquanto todo o rebanho seguia adiante em busca de pastos. E Jesus pergunta: esse pastor não deixará as noventa e nove nos montes para ir em busca daquela que se desgarrou? São Lucas registra estas palavras do Senhor: E tendo‑a encontrado, põe‑na sobre os ombros alegremente2 até devolvê‑la ao redil.

Nenhuma das ovelhas recebeu tantas atenções como essa que se extraviou. Os cuidados de que a misericórdia divina cerca o pecador, nos cerca a nós, são esmagadores. Como não havemos de nos deixar carregar aos ombros pelo Bom Pastor, se alguma vez nos perdemos? Como não havemos de amar a Confissão freqüente, que é onde encontramos novamente o Bom Pastor, Cristo? Pois devemos ter em conta que somos fracos e, portanto, cheios de tropeços. Mas essa mesma fraqueza, se a reconhecemos como tal, sempre atrai a misericórdia de Deus, que acode em nosso auxílio com mais ajudas, com um amor mais particularizado. “Jesus, nosso Bom Pastor, apressa‑se a procurar a centésima ovelha, que se tinha extraviado… Maravilhosa condescendência a de Deus que assim procura o homem; dignidade grande do homem assim procurado por Deus!”3

Contamos sempre com o amor de Cristo, que nem mesmo nos piores momentos da nossa existência nos deixa de amar. Contamos sempre com a sua ajuda para voltar ao bom caminho, se o perdemos, e para recomeçar quantas vezes for preciso. Ele mantém‑nos na luta, e “um chefe no campo de batalha estima mais o soldado que, depois de ter fugido, volta e ataca com ardor o inimigo, do que aquele que nunca voltou as costas, mas também nunca levou a cabo uma ação valorosa”4. Não se santifica quem nunca comete erros, mas quem sempre se arrepende, confiante no amor que Deus tem por ele, e se levanta para continuar lutando. O pior não é ter defeitos, mas pactuar com eles, não lutar, admiti‑los como parte do nosso modo de ser. Por esse caminho só se chega à mediocridade espiritual, que o Senhor não quer para os que o seguem.

II. JESUS AMA A CADA UM tal como é, com os seus defeitos; no seu amor, não idealiza os homens; vê cada um com as suas contradições e fraquezas, com as suas imensas possibilidades para o bem e com a sua debilidade, que aflora com tanta freqüência. “Cristo conhece o que há no interior do homem. Somente Ele o conhece!”5, e assim o ama, assim nos ama.

Como Jesus entende o coração humano e como tem uma visão positiva da sua capacidade! “O olhar de Jesus vê através do véu das paixões humanas e penetra até os refolhos do homem, lá onde este se encontra só, pobre e nu”6. Ele compreende‑nos sempre e anima‑nos a continuar lutando em todas as situações. Se pudéssemos aperceber‑nos um pouco mais do amor pessoal de Cristo por cada homem, das suas atenções, dos seus cuidados!

Esse amor pessoal do Senhor é a suprema realidade da nossa vida, a que é capaz de levantar o nosso espírito em qualquer momento e de nos deixar profundamente alegres. Isso apesar do fundo de miséria que se esconde no coração humano. “É este «apesar de tudo» que torna o amor de Cristo pelos homens tão incomparável, tão maternalmente terno e generoso, a ponto de ter ficado para sempre inscrito na memória da humanidade […]. O seu amor distingue‑se da filantropia ensinada pelos sábios e filósofos. Não é puro ensinamento, mas vida; é um sofrer e morrer com os homens. Não se contenta com analisar a miséria humana e depois procurar os remédios para aliviá‑la: Ele mesmo põe‑se em contacto e penetra nessa miséria. Não suporta conhecê‑la sem participar dela. O amor de Jesus transpõe os limites do seu próprio coração para atrair os outros, ou melhor, para sair de si mesmo, identificando‑se com os outros a fim de viver e sofrer com eles”7.

Jesus considera os homens como irmãos e amigos – é assim que os chama –, e une tão intimamente a sua sorte à deles que qualquer coisa que se faça por um outro, é por Ele que se faz8. Os Evangelistas dizem‑nos constantemente que o Senhor sentia compaixão pelo povo9: E teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor10. Nunca deixa de comover‑se com a desgraça e a dor, mesmo que sejam as de uma mulher pagã como a Cananéia11. Não deixa de atender os que o procuram, sem se importar de que o critiquem por ter violado o sábado12. E convive com os publicanos e os pecadores, ainda que os que se julgam bons cumpridores da Lei se escandalizem. Nem sequer a sua própria agonia lhe impede de dizer ao bom ladrão: Hoje estarás comigo no paraíso13.

O seu amor não tolera nenhuma exceção, e não tem nenhuma preferência por esta ou aquela classe social. Acolhe os ricos como Nicodemos, Zaqueu ou José de Arimatéia, e acolhe os pobres como Bartimeu, um mendigo que, depois de curado, o segue pelo caminho. Nas suas viagens, às vezes, faz‑se acompanhar por algumas mulheres que o servem com os seus bens14. Atende com toda a prontidão os mais necessitados do corpo e sobretudo da alma. A sua preferência pelos mais necessitados não é no entanto excludente, não se limita aos desafortunados, aos marginalizados…, pois há realmente males que são comuns a todos os estratos sociais: a solidão, a falta de carinho…

A nossa vida é a história do amor de Cristo, que tantas vezes nos olhou com predileção, que em tantas ocasiões saiu à nossa procura. Perguntemo‑nos hoje como estamos correspondendo neste momento da vida a tantos cuidados por parte do Senhor: se nos esforçamos por receber os sacramentos com a freqüência e o amor devidos, se reconhecemos Cristo na direção espiritual, se vemos com agradecimento a solicitude daqueles que na Igreja cuidam da nossa alma: os Pastores. Sabemos exclamar nessas situações: É o Senhor!?

III. JESUS AMOU‑ME e entregou‑se por mim, diz São Paulo15. Esta é a grande verdade que nos cumula sempre de consolação. Jesus ama‑nos a ponto de dar a sua vida por nós; e ama‑nos como se cada um de nós fosse o único destinatário desse amor. Devemos meditar muitas vezes nessa maravilhosa realidade – Deus me ama –, que ultrapassa as expectativas mais audazes do coração humano. Ninguém que estivesse à margem da Revelação divina se atreveu a vislumbrar e a reconhecer esta sublime vocação de cada homem: ser filho de Deus, chamado a viver numa relação de amizade com Ele e a participar da própria vida das Três Pessoas divinas. Em termos de lógica humana, isso parece uma ilusão, quase uma mentira, e, no entanto, é a grande verdade que nos deve levar a ser conseqüentes.

Jesus nunca cessou de amar‑nos, de ajudar‑nos, de proteger‑nos, de comunicar‑se conosco; nem sequer nos momentos de maior ingratidão, ou naqueles em que talvez tivéssemos cometido as maiores deslealdades. Talvez tenha sido precisamente nessas tristes circunstâncias que tiveram lugar as maiores atenções do Senhor, como nos mostra a parábola que hoje consideramos. Entre as cem ovelhas que compunham o rebanho, só aquela, a que se tresmalhou, é que foi a que teve a honra de ser levada aos ombros pelo bom pastor. Eu estarei convosco todos os dias16, diz‑nos o Senhor em cada situação, a cada momento.

Esta certeza da proximidade do Senhor deve animar‑nos a recomeçar sempre na luta interior, sem nos deixarmos esmagar pela experiência negativa dos nossos defeitos e pecados. Cada momento que vivemos é único e, portanto, bom para recomeçar, porque, como se lê no livro do Deuteronômio, o Senhor, que é o vosso guia, ele mesmo estará contigo; não te deixará nem te desamparará; não temas nem te assustes17.

Durante muitos séculos, a Igreja pôs nos lábios dos sacerdotes e dos fiéis, ao começar a Missa, umas palavras do Salmo 42: Subirei ao altar de Deus, / do Deus que alegra a minha juventude18, e isto qualquer que fosse a idade do celebrante e dos assistentes. É o grito da alma que se dirige diretamente a Cristo, que se sabe amada e que deseja amor.

“Deus me ama… E o Apóstolo João escreve: «Amemos, pois, a Deus, porque Deus nos amou primeiro». – Como se fosse pouco, Jesus dirige‑se a cada um de nós, apesar das nossas inegáveis misérias, para nos perguntar como a Pedro: «Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?»…

“– É o momento de responder: «Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que eu te amo!», acrescentando com humildade: – Ajuda‑me a amar‑te mais, aumenta o meu amor!”19São jaculatórias que nos podem servir no dia de hoje: aproximar‑nos‑ão mais de Cristo. Ele espera de nós essa correspondência.

(1) Mt 18, 12‑24; (2) Lc 15, 6; (3) São Bernardo, Sermão para o primeiro Domingo do Advento, 7; (4) São João Crisóstomo, Comentário à primeira Epístola aos Coríntios, 3; (5) João Paulo II, Homilia, 22‑X‑1978; (6) K. Adam, Jesus Cristo, pág. 34; (7) ib., pág. 35; (8) Mt 25, 40; (9) Mc 8, 2; Mt 9, 36; 14, 14; etc.; (10) Mc 6, 34; (11) Mc 7, 26; (12) Mc 1, 21; (13) Lc 23, 43; (14) Lc 8, 3; (15) Gal 2, 20; (16) Mt 28, 20; (17) Deut 31, 8; Primeira leitura da Missa da terça‑feira da décima nona semana do TC, ano I; (18) Sl 42, 4; (19) Josemaría Escrivá, Forja, n. 497.

Pe. Francisco Fernandez-Carvajal, op

Católico

CNBB: Subsídios e Evangelização

Acho que a CNBB está teorizando muito sobre a evangelização… a evangelização já não costuma brotar do coração dos fiéis, da ordem litúrgica e das relações do homem com Deus, mas de propostas e subsídios.. isso ajuda, mas são fatores externos e pode ser que algum ardor nasça aí e evangelize… mas, sinceramente… são muitas teorias… precisa de algo que as anteceda e as sustente… e nem sempre percebemos isso de uma maneira invariável e universal…

Estes dias andei pensando que não tem nada mais ceifador do ânimo real do que aquela correta frase “não adianta ir na Igreja e não mudar”.. ou “não faz assim e assado…” a frase é correta, mas nos esquecemos que a conversão pessoal e comunitária é um dom da graça divina… por mais que eu tente fazer algo, se eu não me apegar intimamente com o sentido (ás vezes longínquo) da conversão em Deus, pode ser que comecemos a reduzir aquilo que deveríamos fazer por amor e aquilo que fazemos por causa dos subsídios… nos transformamos em uma caricatura de alguma coisa.

Não, eu não acho ruim os subsídios, os livros e tudo o mais que ajude no real processo de formação, mas o excesso de informação, conceitualizações, contextualizações tem nos matado o bom senso… tem nos eliminado o toque com a realidade nossa mais próxima… quantas vezes dizem em tom de desqualificação.. vc reza enquanto tem pessoas morrendo na África… aí nos desiludimos porque não conseguimos mudar nem a nós mesmos, nem a realidade que nos é próxima e muito menos os problemas da África…

Há uma diferença terrível entre a ideologia humana e a Fé em Cristo… e por isso, ocorre que há uma diferença sensível entre o ser humano do cristão… as ideologias começam pelos grandes e belos planos de mudar o mundo, julgar os seus erros e sugerir-lhe preto no branco o paraíso terrestre… enquanto os cristãos se esperam e agem pelo amor… o amor, por mais que não seja aparentemente ousado quanto aos mirabolantes planos humanos e o que oferece as propagandas ideológicas de salvar o mundo, são sempre mais eficazes… muda um, muda dois… muda tudo…

O Espírito Santo já nos advertiu com relação a isso… e ainda nos confiamos mais aos estudos e as teorias do que aquela velha e boa sintonia com Deus acessível a qualquer um de seus filhos… A letra mata… não, não estou julgando o excesso de subsídios e nem a qualidade deles… mas talvez a falta de algo que os antecedam, que os sustentem… uma linguagem mais simples e direta e que denote extrema clareza e confiança a relação simples, pessoal e comunitária em Cristo, à sua Igreja…

Este texto foi esporádico e não é uma crítica a CNBB…

Católico

Frei Junípero

Frei Junípero, um dos primeiros discípulos e companheiros de São Francisco de Assis, não conseguia manter-se em silêncio quando era repreendido ou quando alguém lhe fazia uma observação desagradável. Para se corrigir desse defeito fez o propósito de, durante seis meses, não dar réplica nem mesmo às mais pesadas injúrias que eventualmente lhe fossem feitas.

Essa luta contra si mesmo custou-lhe grandes sacrifícios. Certa vez, ao ser insultado de forma brutal, fez um tal esforço para se conter que sentiu subir-lhe aos lábios uma golfada de sangue que vinha do seu peito. Nesse dia, muito aflito, o bom frade entrou numa igreja, prostrou-se diante de um crucifixo e exclamou:

– Vede, meu Senhor, o que suporto por amor a Vós!

Então, cheio de temor e encanto, viu o divino Crucificado despregar do madeiro a mão direita e colocá-la sobre a chaga aberta pela lança do centurião, enquanto que lhe dizia:

– E Eu, o que suporto por amor a ti? Profundamente emocionado, Junípero era outro homem ao levantar-se. Ele, que antes não conseguia aturar sem sofrimento qualquer pequena injúria, passou a receber com alegria as mais graves ofensas, como se fossem pedras preciosas para ornar a sua alma.

Católico, Meus Textos

Maria e o Dom Eucarístico

Deus permite, por misericórdia, que cristãos não unidos perfeitamente ao sagrado mistério católico da Igreja, do qual o próprio Senhor é a Cabeça, para que tenham acesso aos elementos de salvação para que se convertam e creiam Nele totalmente.

Os protestantes se tornam cristãos pelo batismo, para que sejam capazes de se unir a Cristo por meio de sua Santa igreja, possuem acesso às Sagradas Escrituras para que lendo ou ouvindo conheçam os mistérios da Fé, muitos creem em dogmas católicos muitas vezes sem tomar conhecimento disso, e assim acontece pois Deus é Misericordioso e quer a salvação de todos.

Mas, por justiça, Deus não permite acesso aos seus maiores Dons e às nossas maiores heranças, que é a Santíssima Virgem Maria e ao inefável e adorável Mistério Eucarístico, Dom de Si mesmo para a salvação dos homens.

Isso explica porque lendo as Sagradas Escrituras não compreendam estes Dons e até insistem em negar estas duas inevitáveis vias para a salvação de nossas almas. Antes de não compreenderem, negam e acabam por ofender o que mais agrada ao coração divino, que é o seu próprio e único Filho e sua amabilíssima Mãe, que compreendeu o Mistério de Deus e O recebeu em seu ventre e pelas suas mãos O entregou ao mundo, a nós, sem fazer nenhuma distinção de pessoas.

Aos pés da Santa Cruz, Jesus fez-nos duas duas mais queridas entregas, a primeira, ofertou a Si mesmo a Deus e por cada um de nós, em um único e perfeito Sacrifício, selou de forma irrevogável a Aliança Eterna. A outra entrega foi dar-nos Maria como nossa Mãe, agraciada e bem-aventurada por todas as gerações.

Deus permite, pela sua misericórdia, que os protestantes tenham acesso a alguns de seus tesouros, mas por justiça, não permite a estes o acesso aos seus maiores tesouros, Jesus e Maria.

Deus só permite conhecer, crer e amar seus maiores Tesouros aqueles que adentram ao átrio do mistério do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja

Oremos por nós, para que nos tornemos fiéis aos maiores Dons que Deus nos concedeu crer e amar e oremos pelos nossos irmãos separados, para que amem e creiam no Mistério da Santa Igreja Católica e assim se alegrem imensamente e caminhem ainda mais felizes e confiantes pela Via da Salvação, que se faz por meio de Maria e do próprio Dom de Cristo, que Se nos dá no Santíssimo Sacramento do Altar.

Paz e Fé!

João B. Passos

“Filho, eis aí a sua Mãe, Mãe, eis aí o teu filho”